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“Fazer votos” é coerente com o Evangelho?

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A realização de votos e promessas é apoiada pela maioria dos segmentos religiosos cristãos, mas seria essa conduta coerente com o Evangelho?

Em primeiro lugar, precisamos diferenciar “votos” dos tão executados “jejuns”. Voto é uma promessa que o indivíduo faz a Deus e ela será cumprida caso o que ela está pedindo aconteça. O jejum (de alimentos) é realizado por muitos a fim de que Deus se compadeça da pessoa e conceda a ela o que pede. Ou seja, no voto a pessoa “recebe para depois pagar” e no jejum, faz um “sacrifício” no intuito de receber (o jejum é discutido em detalhes neste artigo – clique aqui para lê-lo). Em outras palavras, tanto os votos quanto os jejuns são meras tentativas humanas de barganhar com Deus (a pessoa faz um sacrifício, prévio ou após alcançar o objetivo, em troca de uma “bênção” divina).

E os votos ocorrem dos mais variados tipos, sendo que podemos dividi-los em três subtipos: os sacrifícios financeiros (promessa de dar dinheiro a uma instituição de caridade, de ofertar em uma denominação ou de ajudar uma família carente); os sacrifícios físicos (subir uma escada de joelhos, ir a algum local considerado “sagrado”, ficar sem depilar as axilas ou sem cortar a barba/cabelos por anos); os sacrifícios espirituais (acordar todo dia de madrugada para orar, ler a bíblia diariamente ou a sair pregando pelo mundo). Enfim, as variações são muitas, assim como são diversas as motivações para os votos (adquirir casa própria, carro novo, emprego bom, ter filhos, receber uma cura, ver um familiar largar as drogas…). Mas para sintetizar o assunto, vamos analisar alguns argumentos usados por defensores da realização de votos e concluiremos se são ou não coerentes com o Evangelho de Cristo:

– “Jefté, Jacó e Ana realizaram votos a Deus, logo, podemos seguir esses exemplos.”

Quem não se lembra de Jefté, leia Juízes 11. Era um juiz que conduziu os israelitas na vitória sobre seus inimigos (filhos de Amom). Ele havia feito um voto para oferecer em holocausto a Deus o que surgisse primeiro diante dele quando regressasse da batalha. Porém, o que ele viu imediatamente ao regressar foi sua filha. Sendo assim, ele cumpriu o voto (alguns entendem esse sacrifício como sua vida ceifada, enquanto outros afirmam que ela apenas foi separada para servir a Deus).

Em Gênesis 28:20-22 lemos que Jacó prometeu (fez voto de) pagar o dízimo de tudo o que conquistasse, caso Deus o protegesse e o abençoasse em sua jornada. Porém, não é descrito se Jacó realmente pagou o dízimo (até porque, pagaria a quem, se não havia até então, segundo as interpretações tradicionais da bíblia, ordenanças sobre quem teria permissão para recebê-lo?). Alguns consideram que foi uma profecia, pois essa promessa (voto) teria sido cumprida posteriormente, pelo povo de Israel, que deveria pagar os dízimos (mas essa interpretação é uma alegoria que carece de fundamentação histórica).

Ana (I Samuel 1) é um exemplo semelhante. Por não poder ter filhos, fez um voto a Deus: caso tivesse um filho, ele seria dedicado ao Senhor e seus cabelos e barba não seriam cortados.

Há inúmeros outros exemplos menos específicos (como nos livro dos Salmos) em que a realização de votos é citada, afinal, fazia parte da tradição religiosa judaica. Mas o que podemos dizer desses casos?

Em primeiro lugar, foram manifestações individuais e exclusivamente humanas. Deus não instruiu nenhum deles a votar, nem condicionou suas conquistas a esses votos que fizeram. Eles decidiram por si mesmos e conseguiram o que almejaram, assim como muitos outros conquistaram o que pediram sem nunca terem feito votos. No caso de Jacó, leia Gênesis 28 todo e verá que o autor afirma que Deus já havia prometido a ele que sua descendência teria a terra em que estava, que esses descendentes seriam muito numerosos e que se expandiriam pela Terra. Além disso, Jacó recebera a promessa de que seria guardado por onde passasse, de que seria conduzido por Deus de volta àquela terra e de que não seria deixado enquanto todas as promessas não fossem cumpridas na vida dele. Ou seja, o voto de Jacó, não importa o que fosse, não teria poder algum para mudar o que Deus já havia prometido.

Em segundo lugar, observamos pelas escrituras que os hebreus tinham uma compreensão bem diferente da nossa em relação ao divino. Para eles, a relação de Deus com Israel era muito baseada na lógica: “as pessoas cumprem obrigações e EM TROCA Deus as concede benefícios; se não são fiéis, são castigadas”. Porém, na própria bíblia vemos esse tipo de percepção sendo mudada e esse tipo de relação, por méritos, findou de vez em Cristo. A partir de então, a relação do homem com Deus é descrita como não dependente dos nossos méritos ou atos e sim, do que Cristo fez por nós. Tudo o que recebemos é sem merecer, é dádiva de Deus, por Graça. Portanto, esses exemplos no contexto israelita não deveriam ser usados para nós, que definimos como parâmetro não os hebreus, mas Jesus, o Verbo encarnado.

– “Eclesiastes 5 ensina que quando fizermos um voto, devemos cumpri-lo.”

A pergunta a se fazer aqui é: Tudo o que está escrito nesse livro e nesse contexto é aplicável a todos os homens em todas as épocas? O livro de Eclesiastes é belíssimo, tem uma reflexão filosófica interessante, mas tem certeza que quer absolutizá-lo? Vai mesmo ignorar o contexto do livro, não apenas em relação ao coerência interna, mas também em relação ao contexto de produção, cultural e social do mesmo? Lembre-se que, como dito anteriormente, os judeus tinham, durante muito tempo, a mentalidade de que Deus abençoa a fidelidade e castiga a desobediência. Entendiam que Deus recompensava os sacrifícios bem feitos, os rituais e crenças corretas e punia quem assim não fazia. Para deixar como reflexão, cito o versículo 1, em que fala de “santuário de Deus” como sendo um espaço geográfico, mas sabemos que nós somos o Santuário, o Templo dEle  (I Coríntios 6:19/Hebreus 8:2/Hebreus 9), pois Ele não habita em santuários feitos por mãos humanas (Atos 7:48-50). Além disso, o texto cita o “oferecer sacrifício”, que sabemos que não se aplica a nós, pois segundo o autor da carta aos hebreus o sacrifício definitivo (Jesus) já foi oferecido na Cruz (Hebreus 10:12).

Portanto, o que devemos fazer é submeter cada ensino do livro ao contexto da revelação plena de Deus em Cristo (que, conforme João 1, é Ele a Palavra de Deus encarnada) e assim, concluir: é ou não coerente com Jesus? (E portanto, é ou não aplicável a nós?) Aqui é claro: se votos não fazem parte do contexto da relação de Deus com o homem por Graça (como começamos a ver e continuaremos no decorrer do texto), então não é um ensino para aplicarmos em nossa vida. Essa é a “radicalidade” de sermos discípulos não de um livro com muitos contextos e objetivos e sim, da própria Palavra de Deus que se revelou plenamente em Cristo. Nós não somos discípulos de Abraão, de Jacó, de Jefté, de Ana, de Davi ou do autor de Eclesiastes; somos discípulos de Jesus. O que esses grandes homens fizeram, dentro do contexto do judaísmo, deve ser visto por nós como um exemplo, mas não significa que devamos agir como agiram. Com a revelação plena de  Deus em Cristo, muita coisa ficou para trás, muitas delas apenas como “sombra” e “simbolização”, como ensinam os autores das cartas aos colossenses (2:17) e aos hebreus (10:1).

– “Paulo fez e cumpriu um voto. Como está no Novo Testamento (Atos 18 e Atos 21), valida os votos em nossos dias.”

Esse é um ponto que gera muita confusão. Primeiramente não podemos dizer que Paulo tinha o hábito de realizar votos, pelo menos não após a sua conversão à fé cristã. Em Atos 18:18 lemos que ele havia cortado os cabelos em Cencreia por causa de uma promessa. Talvez esse relato esteja relacionado a Atos 21:23-27, em que Paulo se submete ao rito de um voto, juntamente com outros judeus. Qual o motivo? Possivelmente, vários anciãos judaicos aconselharam Paulo a se submeter ao rito para que os judeus que o acusaram de ser uma pessoa que batia de frente com a lei de Moisés e que dizia aos judeus para abandonarem essas tradições judaicas, parassem com as acusações e vissem que Paulo não estava contra eles, embora estivesse levando o Evangelho a todos. O que Paulo fez? Cedeu, fez uma concessão ao contexto, sendo essa ocasião um provável exemplo do que ele dizia:

“Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, tornei-me como se estivesse sujeito à lei, embora eu mesmo não esteja debaixo da lei , a fim de ganhar os que estão debaixo da lei.” – I Coríntios 9:20).

Repare ainda que é possível que ele tenha feito essa concessão (para ganhar os “fracos na fé”) por ser nada mais do que um rito, dentro do costume judaico, que embora não fizesse mais nenhum sentido após Jesus Cristo, os judeus se escandalizavam, e os recém convertidos ainda não tinham plena consciência disso. Portanto, como era apenas um rito de “consagração”, ele aceitou. Mas penso que se o rito fosse uma clara barganha, em troca de “uma bênção”, ele prontamente rejeitaria.

Porém digamos que essa atitude de Paulo, mesmo com essa sincera intenção, seja entendida por alguns como errada, o que diremos? Simples! O livro de Atos registra o início da história da Igreja, as ações dos apóstolos, que vez ou outra corrigiam uns aos outros. Por serem seres humanos como nós, dispostos a viverem a vontade de Deus, porém carregando o peso da imperfeição humana, estavam sujeitos a falhas como qualquer um e o livro de Atos registra essa história toda. Em outras palavras: se Paulo não deveria ter se submetido a isso, poderíamos dizer que foi um equívoco dele (assim como o apóstolo Pedro errou e foi repreendido pelo próprio Paulo). O livro de Atos tenta mostrar a atuação de um Deus perfeito dentro de uma comunidade imperfeita (ao contrário do que muitos acham, de forma idolátrica, que é um modelo a ser seguido por todos os cristãos, em todas as épocas e contextos). Se houver algo no livro que se choca com o ensino de Jesus, é claro que foi um equívoco de pessoas sinceras, tementes a Deus e que estavam trabalhando arduamente para pregar a Boa Nova da Cruz.

– “Eu fiz um voto e recebi. Contra fatos não há argumentos.”

Tudo bem. Você fez um voto e recebeu, porém já parou para pensar que muitas pessoas não fizeram voto algum e também receberam o que pediram a Deus? Você recebeu por causa da Graça (favor IMERECIDO) de Deus, que atua sobre todos, de justos a injustos (Mateus 5:45) e possivelmente correu atrás, permitindo que isso acontecesse. É como um torcedor que antes do jogo do seu time coloca uma camisa do clube, dizendo que isso fará com que o time vença. Então o jogo termina, o time realmente vence, e ele acha que só venceu pelo fato dele ter usado a camisa. Pura superstição e o raciocínio é o mesmo na questão dos votos. Com voto ou sem voto, receberia. Não tem sentido atribuir essa relação de “causa e efeito”.

Talvez você diga:

“Eu entendi que não faz sentido algum fazer um voto, mas como já fiz no passado, não posso deixar de cumpri-lo.”

Veja bem, leitor (a). Se você pensa assim é porque ainda não entendeu o significado do Evangelho. Cristo nos revela exatamente que não há barganhas a fazer com Deus, pois nossa relação com Deus não depende de nós e sim, dEle. Se após entendermos o Evangelho fica absurda essa realização de votos a fim de conquistar algo, o que sugiro é, já que está culpado ou com medo, que ore a Deus, peça perdão pela sua ignorância ao achar que essa sua “promessa” estava fundamentada na Palavra de Deus e pela sua ingênua prepotência de achar que você é capaz de mover as mãos de Deus em seu favor. E creia que você já está perdoado. Sim, pois em Cristo temos garantia de perdão de tudo o que somos e do que fazemos, inclusive dos nossos tolos votos. Entenda que o seu voto foi apenas um ato de alguém que estava na ignorância em relação ao significado da Cruz. Foi uma atitude humana, ingênua e jamais Deus cobraria de você algo que Ele jamais exigiu e que é fruto apenas de uma bobagem sua, ao assimilar esses ensinos religiosos supersticiosos.

Caso o seu voto tenha sido para realizar um bem a alguém, procure continuar fazendo conforme sua possibilidade, mas não como forma de continuar “pagando o voto” e sim, por amor a essa pessoa, afinal, ajudar o nosso próximo é um ensino de Jesus. Entendeu a diferença? Agora se o voto foi absurdo, esqueça-o! Essa mentalidade é nada coerente com Jesus. Creia que tudo foi feito e consumado na Cruz e viva em paz, confiando no que Cristo fez por você. Você será diariamente constrangido em amor a fim de viver respondendo a esse amor com amor e assim, procurando viver a vontade de Deus. E jamais associe qualquer adversidade (que todos passamos em alguns momentos da vida) ao não cumprimento de um voto. Até porque um “deus” que castiga um ser humano por um voto que Ele mesmo, em Cristo, ensinou a não fazer, não é Deus e sim, um ser imaginário maldoso, criado por homens manipuladores ou tolos, por segmentos religiosos que querem controlar as pessoas pelo medo e pela culpa. Basta você comparar esse “deus que castiga os não cumpridores de votos” com Jesus. Lembra quando Tiago e João (Lucas 9) perguntaram a Jesus se deveriam pedir que caísse fogo do céu para castigar o povo? A resposta foi: “Vocês não sabem de que espírito são, pois o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los”. Esse “deus” que castiga quem promete algo que Ele mesmo nem ensina a prometer se parece em algo com Jesus? Claro que não! Então esse ser não é Deus, pois a revelação plena de Deus aos homens é Cristo (Colossenses 2:9).

O que acontece muito é uma pessoa que não tem responsabilidade e capacidade de administração de recursos se afundar em problemas ou dívidas e, como desculpa, associa as consequências ao não cumprimento de um voto. Outras, ficam com medo do que pode acontecer por não terem cumprido a promessa e esse medo gera nelas omissão ou precipitação em suas ações, com boa possibilidade de consequências danosas. Há ainda um grande número de indivíduos que vivem culpados pelo não cumprimento dos votos e assim, essa culpa é a maior adversária em suas vidas, sendo uma auto-flagelação e auto-condenação e, vivendo assim, dificilmente algo dará certo realmente a essas pessoas. E por fim, há aqueles que esperam as coisas “caírem do céu”. Não lutam pelo que querem, pois como fizeram um voto, agora “a responsabilidade é de Deus”. E aí já sabe o que essa omissão gera, né? Ou seja: as consequências ruins tem como causa as ações (ou omissões) do próprio indivíduo e não, um castigo divino.

O ensino de Cristo é claro: Em Mateus 5, Jesus ensina a nunca jurar e diz que nossa palavra tem que ser sempre verdadeira, sincera, sendo o nosso “sim”, sim; sendo o nosso “não”, não! E o que é um voto senão um juramento para realizar (ou deixar de realizar) algo? Em Mateus 6:25-34 Ele instrui a não andarmos ansiosos com coisa alguma, nem com o amanhã. E voto é a manifestação de uma ansiedade excessiva, a ponto do ser humano abrir mão de algo (oferecer um sacrifício) em troca da realização de um desejo ou necessidade.

Precisamos entender ainda que Deus não é obrigado a dar nada a ninguém, afinal, Deus é Ele e não, nós. Ele só concederá algo a nós, caso seja segundo a Sua vontade:

“Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.” (I João 5:14)

Repare que o pedido não é “fortalecido” com um voto e sua realização dependerá se é ou não de acordo com a vontade de Deus. Não há nada que possamos fazer para merecer algo e se fôssemos receber por merecimento, apenas receberíamos condenação, pois o “melhor” de nós é mau, é pecador e um nada perante Deus. Seja voto, campanha, corrente ou um sacrifício (seja em forma de jejum, de dinheiro oferecido a alguma instituição, de promessas…), isso tudo é uma tentativa de “pagar propina ao divino”, tentando comprar uma bênção. Mas graça é favor imerecido. Se desejamos algo, devemos orar a Deus e pedir: “Pai, se for da tua vontade, faça tal coisa”. Até mesmo Jesus quando estava prestes a ser morto, não exigiu nada. Apenas clamou: “Pai, se possível, passa de mim este cálice, porém seja feita a Tua vontade e não, a minha” (Lucas 22:42). Porém, achar que Deus fica “constrangido” quando pedimos algo, oferecendo alguma coisa (seja voto ou “jejum interesseiro”) não tem nenhum fundamento em Jesus, nem nos apóstolos.

Votos e promessas a Deus são distorções bíblicas conscientes ou, quando são feitos com sinceridade, além de não fazerem sentido algum, apenas atestam a ignorância do indivíduo em relação ao significado da Cruz. Não há mais sacrifícios possíveis ou preços a serem pagos, pois o “sacrifício permanente” (Cristo) já foi oferecido por mim e por você. E é por Ele que recebemos tudo o que Deus, por Graça, decide nos conceder. Está consumado! Creia, pois esse é o anúncio do Evangelho! Aprenda com seus erros, creia na mensagem de Jesus, receba o perdão de Deus e viva pacificado. Dessa forma, sem culpa, sem medo e sem tentar barganhar com Deus, verá o que é usufruir da “vida em abundância” prometida a quem se entrega à essa consciência.

Autor: Wésley de Sousa Câmara
Atualizado em 31/12/2018

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